A ditadura de Salazar

A instabilidade política, a agitação social e a crise geral da sociedade portuguesa, aliadas ao estabelecimento de regimes ditatoriais fascistas em Itália e Espanha, tiveram pesadas consequências para o país. Em 1926, o golpe militar de Gomes da Costa acabou com o regime parlamentar. Em 1928, o General Carmona foi eleito para Presidente da República e em 1932 confiou a Presidência do Conselho, com plenos poderes, a António Oliveira Salazar. O regime reaccionário que Salazar começou a edificar a partir de 1933, o Estado Novo, durou cerca de 50 anos. Baseava-se num partido único, a União Nacional, num poder executivo ditatorial, no nacionalismo, no clericanismo e, finalmente, no corporativismo, o qual impunha – com base nos modelos corporativistas cristão e fascista italianos – a colaboração entre as classes. No Verão de 1933 foi promulgada a legislação que dissolvia as organizações sindicais existentes, estabelecendo o sindicalismo corporativo, com o controle absoluto do Estado.

Apesar das divisões internas (os comunistas haviam provocado uma cisão em 1924-25) e do enfraquecimento dos socialistas (que, em consequência disso, passariam a ter uma estrutura sindical clandestina), o movimento sindical reagiu contra esta lei totalitária e convocou, para 18 de Janeiro 1934, uma greve revolucionária geral e insurreccional. A greve demonstrou que os trabalhadores ainda possuíam muita energia para protestar, mas, por outro lado, provocou o reforço da repressão por parte da ditadura salazarista. A CGT, sempre dominada pelos anarco-sindicalistas, foi, progressivamente, perdendo a sua influência. A partir do final dos anos 30, o PCP aumentou o seu peso nas organizações clandestinas de trabalhadores.

Após a II Guerra Mundial, os trabalhadores anarco-sindicalistas e comunistas decidiram não se filiarem nos sindicatos nacionais corporativos. Entretanto, e no seguimento do desenvolvimento do movimento democrático do pós-guerra, o Partido Comunista tentou – em vão – eleger órgãos de direcção para os sindicatos corporativos. A homologação ministerial dos órgãos de direcção eleitos, a censura da imprensa, as dificuldades em organizar reuniões, o controle financeiro por parte do Estado e a política de repressão impediram o sucesso das tentativas dos comunistas.

Nos anos 50 e 60, salvo casos raros, a esmagadora maioria dos sindicatos corporativos não teve qualquer possibilidade ou vontade para organizar as massas trabalhadoras. Até 1969, passou-se um longo período durante o qual não existiu movimento sindical organizado, legal ou clandestino, em Portugal.

Mas o desenvolvimento industrial do pós-guerra, a emigração, a mobilizarão de um grande número de jovens para o exército colonial e a entrada massiça das mulheres para o mercado de trabalho, criaram condições socio-económicas favoráveis à reconstituição de formas novas e democráticas de organização e actividade sindicais.

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