A ditadura de Marcelo Caetano (1968-1974)

Em 1968, Salazar (que morreu em 1970) foi substituído por Marcelo Caetano, seu braço direito e “alter ego”.

A política de Caetano caracterizou-se por uma certa “abertura” face ao passado salazarista. A abertura traduzia-se na possibilidade de eleger dirigentes sindicais sem a homologação da policia política (a PIDE) e, facto muito mais importante, na promulgação de uma lei sobre a negociação colectiva, que previa a possibilidade de reivindicar convenções colectivas. Esta lei teve um impacto positivo sobre as condições de trabalho e sobre os salários. Por outro lado, esta nova liberdade de negociação mobilizou os trabalhadores para a luta sindical.

O movimento sindical criado desta forma já não tinha qualquer semelhança com o que havia desaparecido nos anos 30. Os quadros eram jovens e a ideologia diferente. Os jovens católicos, estreitamente ligados ao Centro de Cultura Operária (por sua vez, expressão da Juventude Operária Católica – JOC – e da Liga Operária Católica – LOC), exerciam grande influência, o mesmo se passando em relação aos jovens que haviam pertencido ao movimento estudantil universitário, influenciados pelas lutas de Maio de 68 em França e na Europa.

Em Outubro de 1970, começaram a organizar-se reuniões sindicais, tendo sido criada uma estrutura sindical informal – a Intersindical. No seu inicio, agrupava cerca de 30 sindicatos, os quais – apesar de serem corporativos – dispunham de órgãos de direcção da confiança dos trabalhadores e praticavam uma política autónoma e de ruptura com o regime. Durante estas reuniões, os comunistas representavam a corrente melhor organizada, mas não constituíam a tendência maioritária, a qual era formada por católicos progressistas e socialistas independentes.

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